Carlos Motta: The Crossing

Carlos Motta , 2017

  • 5 de mar. de 2026

    Galeria Vermelho

    The Crossing [A Travessia] apresenta retratos em vídeo de onze refugiados LGBTQI que falam sobre suas experiências antes, durante e após o êxodo de suas terras-natal para a Holanda. Seus relatos emocionantes mostram os desafios de se viver em meio à homofobia e à transfobia, em culturas onde a repressão e a discriminação tornam praticamente impossível a expressão aberta de gêneros e sexualidades não-normativos. A exclusão, a intimidação e o abuso sofridos por esses refugiados também ocorreram durante seus processos de busca por asilo em campos holandeses para refugiados, onde foram humilhados e intimidados por outros refugiados e muitas vezes não obtiveram a proteção que buscavam das autoridades holandesas. Os personagens de The Crossing são provenientes do Egito, Irã, Iraque, Marrocos, Síria e Paquistão. Dirigindo-se diretamente à câmera, em estilo confessional, eles discutem suas histórias pessoais de perseguição, suas perigosas travessias marítimas e terrestres e seus encontros com as políticas para refugiados na Holanda. As narrativas dos refugiados são pautadas por sua necessidade de escapar de guerras e de opressão política e social e, em particular, de escapar da discriminação comum e profunda que pessoas LGBTQ continuam a enfrentar em todo o mundo. Carlos Motta selecionou os entrevistados com a ajuda da organização Secret Garden, de Amsterdam, que faz campanhas para melhorar a vida dos refugiados LGBTQI, apoiando seus pedidos de asilo e os ajudando a encontrar seu lugar na Holanda. O artista primeiramente se encontrou com um grupo maior de refugiados em Amsterdam em agosto de 2016 e registrou as entrevistas com onze refugiados em um estúdio de filmagem de Amsterdam em fevereiro de 2017. Além dos onze vídeos, The Crossing apresenta cerca de vinte objetos históricos das coleções do Rijksmuseum, do Tropenmuseum e do Museu de Amsterdam. Apresentados em duas grandes vitrines de vidro, essas gravuras, fotos, porcelanas, esculturas de souvenir e outros objetos guardam em si o exílio de diversos grupos para a Holanda, incluindo protestantes no século 18 e o êxodo da Bélgica em 1914. Os objetos nas vitrines também se referem ao passado colonial holandês e sua ligação com os povos colonizados cujas identidades culturais e posições sociais foram moldadas pelo domínio holandês e pela diluição dos costumes locais pelas tradições holandesas. Desta forma, Motta mistura histórias contemporâneas e históricas de fuga e migração forçadas, onde os Países Baixos são percebidos como um estado humanista que respira hospitalidade, uma política acolhedora de refugiados e tolerância social e cultural através do quadro de direitos humanos internacionais. The Crossing evidencia como essa imagem de uma nação hospitaleira é uma construção ideológica que está sendo atacada por movimentos políticos populistas que corroem os ideais liberais europeus.